[MMA] NOITE DE ARONA NO BITETTI COMBAT

[MMA] NOITE DE ARONA NO BITETTI COMBAT


Big John McCarthy levanta os braços de Arona. Faixa-preta rotornou aos ringues com vitória.

A noite de sábado no Bitetti Combat foi abençoada para os lutadores brasileiros. Em especial Ricardo Arona, Paulão Filho, Pedro Rizzo e Murilo Ninja. Todos os quatro superaram os adversários estrangeiros no card principal do evento idealizado pelo faixa-preta bicampeão mundial de Jiu-Jitsu Amaury Bitetti, no Maracanãzinho. Entre os convidados, estiveram presentes nomes de peso da arte suave como os mestres João Alberto Barreto, Oswaldo Alves e Robson Gracie, além de consagradas estrelas do MMA como Anderson Silva, Rodrigo Minotauro, Maurício Shogun, Renzo Gracie e Murilo Bustamante, e técnicos respeitados no universo das artes marciais como Cláudio Coelho, Josuel Distak, Luiz Alves e muitos outros.

Com toda a badalação típica dos eventos de MMA, imitando os moldes americanos, na área VIP também foi possível ver rostos famosos do público como o casal da TV Globo Luciano Huck e Angélica e o apresentador do Vídeo Show André Marques, além de Dani Bananinha e o sempre presente Serginho Mallandro. Representantes de outras áreas esportivas também compareceram. Dos gramados, o presidente do Vasco da Gama, Roberto Dinamite, e das quadras, Bernard do vôlei, criador do “jornada nas estrelas”.

Da política, o deputado Marcelo Itagiba, demonstrou que admira artes marciais e também prestigiou o Bitetti Combat. Big John McCarthy e Renzo Gracie deram o brilho de destaque e tom de prestígio na arbitragem do evento.

Mas era das arquibancadas que vinham as vozes que ditavam o ritmo do espetáculo. O público mandava toda a vibração para os atletas da casa, que correspondiam simultaneamente em cima do octógono.


Depois de tanto corre-corre, Bitetti senta, bebe água e curte seu evento em paz.

Um deles foi Ricardo Arona, que marcou seu retorno aos ringues com vitória sobre o americano Marvin Eastman, por decisão unânime, depois de mais de um ano parado. O faixa-preta de Carlson Gracie iniciou os trabalhos à 1h15 da madrugada arrancando os gritos da torcida, que foi ao delírio com o potente chute na perna esquerda de Eastman. Na trocação, Arona testou a tolerância a golpes do americano com mais outro chute forte apostando inicialmente na trocação. Com o olhar sereno e penetrante, Arona partiu pra cima, chegando a pegar as costas de Eastman. Com o gancho encaixado, ia começando a trabalhar as costas quando o primeiro round foi encerrado. Eastman foi literalmente salvo pelo gongo.

No segundo assalto, o niteroiense, porém, levou alguns socos e Eastman começou a querer gostar da luta. O susto dado na torcida ficou por conta do momento em que Arona caiu e prendeu o pé na grade. Momento de tensão. Big John interrompe; Eastman protesta. Na volta, Arona recupera a confiança e o estádio veio abaixo após o lutador dar uma sonora queda no americano, passar a guarda e completar a seqüência na montada. Do canto do octógono, Anderson Silva soprava dicas pontuais ao brasileiro.

Após a vitória decretada, Arona mostrou que quer retomar o rumo de uma carreira vitoriosa. “Espero que esse evento chegue direto lá [no UFC] e o Dana White possa ver”, disse, com largo sorriso no rosto se referindo ao seu forte desejo de atuar no mais prestigiado evento mundial. O lutador não quis dar detalhes, mas disse que está com uma proposta do StrikeForce bastante avançada.

Outro que lavou a alma foi Pedro Rizzo. Além de vir de duas derrotas na carreira, sua atuação no Bitetti Combat marcou o reencontro com a torcida brasileira, que há mais de 10 anos não via o atleta veterano do Pride e do Ultimate atuar em seu país, desde a vitória sobre David Abbott em 1998, no UFC Brazil, em São Paulo. Foi com essa vibração que o público empurrou Rizzo para cima de Jeff Monson. Desde que pisou no octógono até o momento em que saiu, o carioca foi ovacionado e conquistou a vitória por decisão unânime sobre o Boneco de Neve. Monson sabia do prestígio de Rizzo em casa e tentou driblar a torcida contra, demonstrando seu carinho pelo Brasil ao entrar com a camisa da seleção.


Rizzo não fugiu da trocação e castigou Jeff Monson por cima. Vitória dedicada à família. “Vou poder voltar pra casa tranquilo”, disse Rizzo após a vitória.

Em luta predominantemente em pé, Rizzo desferiu dois fortes chutes na perna esquerda de Monson logo no início e chegou a abrir o supercílio de seu adversário com os jabs, no terceiro round. Ao longo do combate, Rizzo demonstrou excelente técnica de defesa de queda com seus sprawls (esparramada) e frustrou as investidas de Monson no primeiro e segundo round, além das técnicas de clinch, impedindo que o americano o levasse ao chão.

Ao final, demonstrou habilidade com as palavras. “Essa vitória foi importante não só por causa do ranking, carreira e essas coisas, mas sim para minha família. Minha esposa e meu filho, que estão presentes aqui. Me senti em casa. Sou brasileiro, carioca e vou poder voltar para casa tranqüilo”, disse Pedro Rizzo ao microfone, sendo aplaudido logo em seguida. “Queria pedir desculpas ao público. Eu machuquei meu cotovelo de forma séria há pouco tempo antes da luta e tive que usar muito antiinflamatório e meu gás acabou um pouco e eu preferi segurar um pouco, mas eu iria para nocautear, com certeza”, mais aplausos pela sinceridade.


Assim como Arona e Rizzo, Paulão Filho entrou com total apoio da torcida. As expectativas do público eram grandes. Em seu corner, o velho mestre do Jiu-Jitsu Oswaldo Alves. Durante os três rounds, Paulão buscou levar seu adversário Alex Shoenauer ao chão, mas foi dificultado pelo americano, que sabendo que o solo era a praia do carioca fugiu a todo custo, indo para as grades durante toda luta. Com isso, em pouco tempo o público que antes aplaudia, começou a vaiar. No primeiro round,o silêncio era impressionante, enquanto Paulão tentava acabar com a luta no chão.

O brasileiro chegou a balançar Shoenauer com cruzado de esquerda e demonstrou bom boxe. Porém o impasse permaneceu no segundo round. Paulão tentando o takedown e Shoenauer dificultando em pé com as costas nas grades. A partir deste momento as vaias foram ficando mais fortes. O público exigia mais. Na decisão unânime, a vitória ficou com Paulão, faixa-preta do saudoso Carlson Gracie.


Entre uma luta e outra, Renzo arruma um tempinho para as lentes de GRACIEMAG.com

Murilo Ninja, que entrou para substituir Rogério Minotouro, surpreendeu a todos com a velocidade com que despachou Alex Stiebling e protagonizou o nocaute mais bonito da noite. O curitibano necessitou de exatos 45 segundos de luta para levar o “Brazillian Killa” à lona com um chute de esquerda no rosto (high kick).

Mauricio Shogun, no córner do irmão, não precisou dar qualquer orientação. Após a vitória acachapante de Ninja, o desafiante do cinturão de Lyoto Machida no UFC se limitou a dizer ao GRACIEMAG. “Cara, eu estou muito feliz pelo Ninja. Estamos treinando juntos sempre”, comemorou Shogun.

Anderson Silva foi um espetáculo à parte ao longo do Bitetti Combat em suas aparições performáticas, atraindo olhares das lentes das câmeras e prendendo a atenção de todos. Após ser chamado e exaltar a importância do evento e sua representatividade para a cidade do Rio de Janeiro, ia posando para foto ao lado de Amaury Bitetti. A torcida interrompeu o clique o saudou showman de Dana White com gritos de “é campeão, é campeão!”, ao que Anderson correspondeu pulando com braços abertos feito criança. “É muito bom morar aqui nessa cidade, que já me adotou praticamente. Fiquei amarradão de receber o carinho da torcida”, disse Anderson ao GRACIEMAG.COM


“O pulo do Aranha”: Em uma de suas inúmeras peripécias, Anderson posa pra foto fingindo que vai pular da rampa pro octógono.

A noite terminou e lentamente o Maracanãzinho foi ficando vazio. Som e microfones desligados, as principais luzes já iam se apagando. Arquibancadas vazias. Só a área VIP permanecia eufórica com a presença de Minotauro e Anderson, que eram perseguidos de modo implacável pelos fãs. Anderson foi para a arquibancada tirar fotos e vibrar junto a um grupinho que se formara implorando sua atenção. Sorrisos e abraços com dezenas deles até o momento em que surgiu uma pergunta certeira de um fã: “Qual é Aranha, não vai perder nunca não?”, disse admirado um torcedor boquiaberto. “Que isso, irmão vai ficar me agourando? Caramba!”, disse Anderson às gargalhadas.

Bitetti Combat
Maracanãzinho, Rio de Janeiro, RJ
12 de setembro de 2009

Alexandre Pulga venceu Luciano Izzy por decisão unânime dos jurados;

Cassiano Tytschyo apagou Fausto Black com uma guilhotina a 1min29s do 1R;

Luis “Besouro” Dutra venceu Henrique Chocolate por interrupção do árbitro a 3min49s do 1R;

Glover Teixeira finalizou Leonardo Chocolate na guilhotina a 3:11 do 3R;

Fábio Maldonado venceu Vítor Miranda por decisão dos jurados;

Milton Vieira venceu Luciano Azevedo por decisão dividida;

Murilo Ninja nocauteou Alex Stiebling a 0:45s do 1R;

Pedro Rizzo venceu Jeff Monson por decisão unânime;

Paulo Filho venceu Alex Shonawer por decisão unânime;

Ricardo Arona venceu Marvin Eastman por decisão unânime.