O norte-americano Shane Carwin tem 35 anos, trabalha diariamente em uma empresa de engenharia e é o campeão interino dos pesos pesados do UFC. Sim, é isso mesmo. O mais novo campeão do torneio mais importante de MMA do planeta não é lutador em tempo integral.

Shane Carwin golpeia Frank Mir durante a vitória que lhe valeu o cinturão dos pesados no UFC 111
Aos 35 anos, Carwin é um fenômeno do esporte. Começou a treinar tarde, aos 30 anos. Até hoje, nunca ouviu o sino de final de assalto. Em 13 lutas, 13 nocautes no primeiro round. Sua última vítima foi Frank Mir, ex-campeão dos pesos pesados. Seu próximo rival é o gigante Brock Lesnar, o atual dono do cinturão.
Ex-atleta universitário, Carwin foi campeão nacional de luta livre, foi convocado para o “jogo das estrelas” de futebol americano e estava “na bolha” dos atletas que poderiam ser draftados na NFL, a liga profissional de football. Dúvidas sua recuperação de uma lesão nas costas acabaram com as chances na NFL, mas o deixaram mais próximo do UFC.
O caminho, porém, foi longo. Após o fracasso na NFL, ele voltou a praticar luta livre, conquistou o título nacional da NCAA divisão II (as divisões são definidas pelo tamanho das universidades, não pela qualidade dos atletas). Na faculdade, se formou em engenharia mecânica e ainda tem um diploma de tecnologia ambiental.
Ao contrário de outros lutadores, que dedicam ao MMA 100 % de seu tempo, treinando ou ensinando o esporte, o campeão interino dos pesados não passa tanto tempo na academia. Com 1,88m e 120 kg de músculos, ele trabalha diariamente em uma empresa em Denver, no Colorado.
“Eu sei que todo mundo que está no UFC é lutador, mas também técnico. No fundo, todo mundo precisa de um segundo emprego. E o meu é como engenheiro. É nele que eu consigo relaxar e usar minha mente em algo que é prazeroso”, conta o gigante.
O lado positivo, aliás, é que como engenheiro, ele escolhe os projetos que vai tocar. Ganha flexibilidade para os treinamentos e nem mesmo precisa pedir folgas para se preparar para as suas lutas. “Eu faço o meu horário, escolho os meus projetos. Não é muito diferente do que outras pessoas fazem. Então, enquanto esse trabalho não atrapalhar, não tenho porque escolher entre um ou outro”.
Fora do ringue, a personalidade de Carwin também não combina com a de seus rivais. O gigante Brock Lesnar, por exemplo, é um fanfarrão quase incontrolável. Após vencer Frank Mir no UFC 100, deu vexame ao comemorar seu título humilhando o derrotado. Mir segue a mesma linha: antes de encarar Carwin, afirmou que queria vencer para ter a chance de voltar a enfrentar Lesnar e “matá-lo”. “Na verdade, não dou muita bola para o que eles falam. Quando eu joguei futebol, ouvi muitas coisas assim. E, acredite, dentro de campo esse falatório é muito pior”, diverte-se Carwin.
Dentro do octógono, a coisa é diferente. Até mesmo os rivais admitem isso. “Ele não é tão novo, mas é uma revelação. Começou treinar tarde, mas já vinha do wrestling (luta livre olímpica), é bom de queda. E ainda é um ótimo trocador. Todas as lutas dele acabaram no primeiro round, tem a mão pesada. É um cara perigoso”, analisou Júnior Cigano, da mesma categoria, em entrevista ao UOL Esporte.