Fernando Z., especial para o Yahoo! Esportes
A categoria leve ainda é relativamente carente de talentos brasileiros no UFC. Mas o carioca Rafael dos Anjos, 25 anos, segue firme na missão de alavancar estatísticas. Ele encara o experiente Clay Guida na busca pela quarta vitória consecutiva no evento. Caso aconteça, o fato atestará o gosto especial da ‘volta por cima’.
Após fechar contrato com a franquia em 2008, Dos Anjos perdeu as duas primeiras disputas e escapou por pouco de ser demitido precocemente pelo chefão Dana White. “Obviamente, vitórias são questão de sobrevivência neste emprego. Mas não há mais aquela apreensão de mostrar serviço. A primeira vitória deu nova dinâmica e deixou meu jogo mais solto para as próximas duas. Agora, consigo entrar lá (no octógono) e curtir o clima da luta”, afirmou.
Mesmo prestes a firmar boa fase em um panorama competitivo ao extremo, Rafael usa o discurso ‘pés no chão’ na hora de falar sobre a almejada disputa pelo cinturão. “Manter a regularidade é essencial por ora. Meu estilo tem de maturar mais dentro do UFC. Há muitos fundamentos que tenho de melhorar, seria precoce falar nisso ainda (título). Preciso de mais vivência para me sentir apto a encarar essa responsabilidade”.
Dono de estilo que prioriza o jiu jitsu (em 14 vitórias no cartel do MMA, sete foram por finalização e uma por nocaute), o carioca também afiou as habilidades em pé no exaustivo programa de muay thai com o mestre Kru Tong, de Cingapura, que visitou a Cidade Maravilhosa pela primeira vez.
A disputa com Guida será a terceira de Rafael do card principal (e a segunda transmitida no pay per view). Ele levou o prêmio de melhor finalização da noite (US$ 75 mil) no último combate, contra Terry Etim, no UFC 112 dos Emirados Árabes. Na ocasião, inicialmente teve a destreza necessária para escapar de uma guilhotina (estrangulamento) quase perfeita aplicada pelo inglês. Em seguida, virou o jogo e liquidou a fatura com uma chave de braço fatal.
Para o novo compromisso, o plano de luta não deve passar por alterações significativas. Forte nas quedas e muito explosiva, a tática básica do americano deve ser neutralizada no solo. “A idéia é segurar um pouco o ímpeto dele e defender as tentativas de derrubar. Reforcei aspectos do jiu jitsu que podem confundi-lo. Com certeza nossa luta vai para o chão, e o melhor esquema será cair por cima para aplicar as surpresas que treinei”, explicou.
Sobre o boato espalhado em sites e publicações especializadas de que estaria com sérios problemas de saúde no decorrer dos treinamentos e quase abandonou o compromisso, o atleta foi enfático. “Tive apenas um resfriado. Foi pura besteira para plantar notícia. Pessoas de fora do país souberam disso antes até do que minha mãe. Ninguém mais escapa de coisas inventadas. Isso não comprometeu sequer os treinos, muito menos chegou ao ponto de pensar em cancelar a luta”.